Violência doméstica contra a mulher: O silêncio que mata

Em Muzambinho, são atendidas em média cinco ocorrências de violência contra a mulher todo mês

Publicado em 09/08/2018
Por Daiane Del Valle

 

Nesta terça-feira (7) a Lei Maria da Penha, reconhecida mundialmente como uma das melhores legislações que buscam atacar o problema e a desnaturalização da violência como parte das relações completou 12 anos em meio a um cenário incoerente e que revela a importância do debate sobre o assunto.

Também nesta semana foi destaque o caso da advogada Tatiane Spitzner, que supostamente foi morta pelo marido Luis Felipe Manvailer. Foram 20 minutos de agressões do marido, antes de Tatiane morrer na madrugada de 22 de julho, em Guarapuava, no Paraná. No quinto país que mais mata mulheres, a discussão sobre denunciar casos de violência doméstica veio à tona com o feminicídio da advogada. Ainda é presente a cultura explicitada pelo ditado "em briga de marido e mulher não se mete a colher".

Não é necessário olhar para longe para se deparar com essa realidade, fora dos olhares das grandes manchetes está a realidade da mulher muzambinhense. Segundo dados da delegacia de polícia, são atendidos mensalmente cerca de cinco casos de violência contra a mulher, sendo que apenas dois ou três desses casos são representados na justiça e a maioria deles são caracterizadas por violência psicológica que se tornam agressões físicas posteriormente.

De acordo com a Secretaria Criminal do Fórum de Muzambinho, cerca de trezentos processos estão em tramitação, entre processos que aguardam representação da vítima e processos já representados tanto pela vitima quanto pelo Ministério Público, que atua em casos de lesões corporais de qualquer natureza contra a mulher, independente da representação da vitima.

Temos que nos perguntar por que houve a agressão, e não por que ela não reagiu ou desistiu de procurar amparo na justiça. A vítima de relacionamento abusivo, inserida no ciclo da violência, não consegue reagir. Muitas desenvolvem até síndrome do desamparo aprendido (situação em que vão sendo retiradas condições psicológicas para que a pessoa reaja). Numa situação extrema, em que a mulher está sendo agredida, a intervenção tem que acontecer.

Como denunciar

A denúncia de violência doméstica pode ser feita em qualquer delegacia, com o registro de um boletim de ocorrência, ou pela Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), serviço da Secretaria de Políticas para as Mulheres. A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o país.


Sobre o autor

Daiane Del Vale

Colaboradora em produção de conteúdo

Estudante de Jornalismo, Uninter Guaxupé. 

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