O corpo belo é realmente saudável?

por Bruno Paulino

Publicado em 24/11/2018
Por Bruno Paulino

Historicamente, os padrões de beleza mudaram sempre de acordo com os interesses das classes dominantes de cada época.

Antes de iniciarmos nosso bate-papo, vamos definir alguns conceitos:

  • Padrão: aquelas medidas, modelos e normas de modelo que muitos desejam ter;
  • Normalidade: aquilo que acontece com a maioria das pessoas;
  • Saúde: é viver com boas condições físicas e mentais, aliadas ao bem-estar social e outros aspectos socioambientais;
  • Mídia: o conjunto dos meios de comunicação em massa.

Tendo estabelecido esses conceitos, podemos discutir como a mídia capitalista tem utilizado os meios de comunicação (TV, rádio, revista, internet, etc) para manipular o comportamento humano e vender seus produtos.

Sócrates afastando Alcebíades dos braços do vício, 1861, Museu Dom João VI. Uma pintura histórica de sua juventude.Da Idade Antiga (4.000 a.C), até os dias atuais, o corpo sofreu várias ressignificações. No século XVI o corpo era visto como algo vergonhoso, e o padrão de beleza vigente era composto por formas roliças, padrão que hoje em dia é indesejável.

No século XIX, o corpo saudável foi construído com intuito militar e industrial, através do discurso de atividade física e saúde. Mal sabiam que esse corpo na realidade serviria como mão de obra nas indústrias e também para proteger a pátria.

Nos dias atuais, a mídia capitalista impõe um padrão de corpo magro, esbelto e sarado que é tido como “saudável”, desconsiderando toda a individualidade biológica e o contexto social que este indivíduo está inserido. Infelizmente, este corpo tornou-se um produto e pode ser comercializado.

Essa mídia utiliza do discurso médico higienista, no qual para ser “saudável” você deve se encaixar em várias tabelas de percentual de gordura, índice de massa corporal, circunferência abdominal e outros padrões para que você tenha "a saúde em dia".

Com isso, a corrida desumana pelo corpo perfeito pode ocasionar vários problemas como: depressão, lesões (ocasionadas pelo excesso de exercícios) e distúrbios alimentares - como anorexia, um transtorno no qual a pessoa tem uma imagem distorcida de seu corpo e busca obsessivamente o menor peso corporal, bulimia, alimentação compulsiva seguida por técnicas de indução do vômito, laxantes, prática excessiva de exercícios e jejuns prolongados, e vigorexia, na qual o portador também possui sua imagem corporal distorcida, porém ele busca adquirir cada vez mais massa muscular (público de maior parte masculino).

A luta hoje em dia travada pelos profissionais da saúde, principalmente o nutricionista e o educador físico, está na conscientização dos seus clientes para que tenham uma vida equilibrada e ativa, visto que todo indivíduo deve ter uma alimentação saudável e equilibrada tanto em qualidade como em quantidade e também manter níveis adequados de exercícios físicos, com isso já seria possível prevenir e tratar a obesidade e inúmeros distúrbios e doenças metabólicas que tem alarmado a população ultimamente.

Devemos colocar a qualidade de vida em primeiro lugar e não a estética. 

A busca desenfreada pelo corpo perfeito é impossível e cruel. Porém, quando você preza pela sua saúde, a beleza vem como consequência desse processo.

 


Sobre o autor

Bruno Paulino

Colunista de Educação e Saúde e Bem-Estar

Formado em educação física pelo IF Sul de Minas, Campus Muzambinho, atualmente Bruno é personal trainer e professor de BOX FIT na Vitta Santé e professor de hidroginástica no Espaço Ana Hata, na cidade de Guaxupé.

Ele é especialista em ...

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