Mãe - A história de um quarto

Por Patrícia Martyres

Publicado em 07/05/2018
Por Patricia Martyres

 

Dentro da casa havia um quarto. No princípio ele tinha uma cama de solteira, um quadro de cortiça na parede, e cores, livros e pincéis pelos cantos. O quarto era o canto no universo onde a moça manifestava livremente sua jovem autonomia.

Passado um tempo, de súbito a cama aumentou: o quarto então tornou-se o canto de dois, e ao se unirem as duas liberdades, houve uma grande transformação. O quadro de cortiça foi embora, mas outras coisas surgiram ali. Um dia apareceu algo bem bonito que chamavam de amor, e o quarto viu que naquele ninho se gerava um outro ser, um terceiro. Desde então ficou ansioso por conhecer quem iria habitá-lo.


De repente um fuzuê se fez. Caixas chegaram, coisas saíram e o quarto ficou sozinho. Silêncio...


Hoje o quarto mudou, se transformou em lugar de experimentações. Não nasceu ali apenas um ser, mas vários. O quarto agora é de todos, numa bela metamorfose que abriu mão do antigo para cria o Novo. Deixou as folhas caírem.

A moça que ali vivia também não tem mais canto só dela. Na verdade, agora até o seu corpo compartilha com outra pessoa, que nele dorme e se alimenta.

Mas às vezes ela e sua cria vão lá cantar pro quarto querido, agradecer pelo aconchego que lhe deu, e com ele novamente criar coisas novas (ou apenas brisar um cadin).


Sobre o autor

Patricia Martyres

 

Jornalista, mãe e plena. 

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