Diversidade Musical e Respeito

Música

Publicado em 03/05/2018
Por Lúcio Di Paula

 

A música faz parte do ser humano, faz parte das nossas vidas, e cada um carrega consigo seu gosto pela música. Alguns preferem determinados estilos - devido aquilo que mais lhe soa bem - e outros são mais ecléticos, ouvindo vários estilos. Até aí estamos de acordo, porque não teria graça existir apenas um estilo musical! Mas, infelizmente, surge às vezes o preconceito que algumas pessoas carregam pelos outros ouvirem músicas que não lhes agradam.

Muitos estilos existem. Hoje citarei três bem populares: rock, surgido por volta de 1960 no Brasil com uma forma de dança - moda na Jovem Guarda-, irreverência e movimento de liberdade; sertanejo, surgindo nos tempos áureos junto na história do povo do sertão, falando de seu estilo de vida e de amores não correspondidos, até chegar ao sertanejo atual, “universitário”, em que se fala muito de festas e diversão; e o funk brasileiro, visto que existem outros tipos de funk ao redor do mundo, mas ressaltando este especificamente nascido no final da década de 1980, nas favelas cariocas como uma forma de protesto contra a violência e abordando também temas como ostentação, diversão e sexo. 

Como já dito, vemos que muitos olham e têm falsos estereótipos, como:

“Todos que escutam rock usam drogas e vivem uma vida muito louca”, devido a liberdade referida acima. Ou “todos que escutam sertanejo moram no mato e sempre afogam as mágoas na bebida”. No funk o senso comum pode ser ainda mais cruel, muitas vezes julgam os apreciadores do estilo como “todos que escutam funk são traficantes e moram em favelas”.  Mas julgar alguém simplesmente por seus estilos musicais prediletos é um grande erro!

Os estilos musicais surgiram em ambientes que não definem o caráter ou comportamentos de quem os ouve. Criar tais julgamentos é ignorância. Nossas atitudes não se guiam por estilos musicais, são feitas pelo nosso bom senso e nossas escolhas. Nosso gosto musical é apenas reflexo do que soa bem aos nossos ouvidos ou daquilo que nos identificamos mais, apenas isso. O mesmo acontece com outros temas como times de futebol, religião que frequentamos e opinião política.

Terminando nossa reflexão, sugiro você pensar em suas escolhas. O quão horrível seria alguém implicar ou criticar de maneira ofensiva seu estilo musical ou dizer que a música que você mais gosta, aquela fez parte de um momento especial em sua vida, é mau gosto. Ou dizerem que o artista no qual você tem respeito pelo trabalho é péssimo e que você não sabe apreciar “artistas” de verdade. Ou, pior ainda, alguém definir que você é mau-caráter pelo seu estilo musical.

Sua liberdade termina quando começa a do outro. Viva esta liberdade de ouvir o que quiser e o que mais te faz sonhar e se sentir feliz, apenas isso. Não ultrapasse a liberdade do outro achando que apenas as suas escolhas são as boas e que uma pessoa tem determinada atitude pelo estilo dela sem conhecer a essência do que ela é de verdade. Existem escolhas e estilos, temos o DIREITO de sermos nós mesmos e o DEVER de respeitarmos as diferenças. Não nos cabe julgar o caráter de alguém pelo seu estilo musical. Sempre deve prevalecer em nós o RESPEITO, para termos um mundo mais feliz e mais harmonioso para se viver. RESPEITO é o único estilo que todos deveriam ter.

 


Sobre o autor

Lúcio di Paula

Colunista de Música

Músico nato, Lúcio Antônio de Paula Inácio, mais conhecido como Lúcio di Paula, estuda licenciatura em educação musical pelo Unimes (Universidade de Santos) e também "Boas práticas de regência” no projeto Orquestrando do Sesi-SP, orientado pelo maestro Jo&at ...

Ver Perfil

Veja também