Ansiedade, serve para alguma coisa?

por Carlos Donizetti de Souza Júnior

Publicado em 04/08/2018
Por Carlos Donizetti de Souza Júnior

 

Maria Eduarda, 23 anos, não via a hora de terminar sua aula para chegar em casa e finalmente poder descansar. Estava há alguns dias sem dormir. Cursava ciências contábeis à noite e fazia seu estágio durante o dia. Estava no último ano da faculdade e entre um relatório e outro, gostava de comer chocolate. Dizia que era seu estímulo de estudo. Apesar dos relatórios para entregar - diga-se, quase sempre em cima da hora – e as preocupações com o estágio, ela conseguia levar tudo razoavelmente bem. Morava com os pais e estes a ajudavam no que precisava. Porém, tudo começou há 4 meses, quando decidiu terminar seu relacionamento de 3 anos. O namorado tinha traído. O mesmo havia confessado. De umas semanas para cá, passou a se alimentar mal, cheia de preocupações com o término da faculdade e dizia não saber o que fazer depois, mesmo o pai tenho uma empresa na qual ela poderia trabalhar. Maria Eduarda passou a ter crises de ansiedade, desejando não mais frequentar as aulas, com noites mal dormidas e se irritando com facilidade. Foi aí que decidiu procurar ajuda.

A ansiedade é um sentimento, ou melhor, uma sensação desagradável de que algo está por vir, geralmente acompanhado de pensamentos negativos e medo. É importante destacar que a ansiedade/medo é algo normal e presente na vida de todos. Movem-nos e nos preparam melhor para os acontecimentos da vida. A ansiedade e o medo passam a ser reconhecidos como patológicos quando são exagerados, de modo desproporcional ao esperado para a situação. Um exemplo simples. Alguém que precisa fazer uma apresentação de trabalho. Uma “boa” ansiedade te faz estudar e até mesmo ensaiar como se apresentar. Sabendo que estudou, provavelmente sairá bem. Já outro caso, instala-se uma ansiedade tão grande, imaginando que não fará bem, acaba por desistir, mesmo tendo capacidade. Seria uma ansiedade que paralisa. Ou seja, um pouco é saudável, muito pode prejudicar.

Uma ansiedade exagerada (desproporcional), com o tempo, pode gerar um transtorno emocional. Existem alguns transtornos que tem como base a própria ansiedade como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), T. de Ansiedade de Separação, as Fobias Específicas (medo exagerado e irracional de algo como cachorro, elevador, chuva...), Fobia Social, entre outras. São nomes dados para classificar certos quadros de ansiedade. Ainda, os sintomas de ansiedade podem ser encontrados em conjunto com outros transtornos como a Depressão, Esquizofrenia, Síndrome do Pânico. Nessas situações, o tratamento pode envolver somente psicoterapia, mas também o uso de medicação, dependendo de cada caso.

No caso de Maria Eduarda, sentia que dava conta das dificuldades do estágio e da faculdade. Porém, o fato da traição do namorado e a finalização do curso se aproximando, a despertou um estado grande de inseguranças e medos. Poderia imaginar que seria uma coisa a menos e conseguiria concluir tudo, tendo o emprego na empresa do pai. Porém, passou a crer que nada dava certo em sua vida, criando várias preocupações (exageradas) e ficando num modo de ansiedade intenso. Essa forma de pensar, não surge do nada, mas vem de experiências que vão sendo construídas ao longo da vida. Quando não cuidadas, surgem os sintomas como a ansiedade e com o tempo, podem aparecer os transtornos emocionais, literalmente, um transtorno.

Para encerrar, a saúde emocional deve ser cuidada naturalmente como escovar os dentes, se alimentar e praticar exercícios. O preparo é no dia a dia. Assim, a vida fica mais leve e melhor. Não sem ansiedade, mas usando-a para o bem.


Sobre o autor

Carlos Donizetti de Souza Júnior

 

Psicólogo (CRP 04/44638), natural de Muzambinho - MG.

Carlos é graduado pela Universidade Paulista, com período cursado na Universidade do Porto, em Portugal. Especializando em Saúde Mental pela UCDB. Oferece atendimentos clínicos presenciais e orientações online. Psicólogo concursado (1ºlugar) na Prefeitur ...

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