A Casa da Zana de portas abertas

Uma entrevista leve e inspiradora com a designer têxtil Rosana Maria, a Zana, proprietária de um dos cantinhos mais aconchegantes e delicados de Muzambinho

Publicado em 05/06/2018
Por Daiane Del Vale

(Fotos por Paulo Watanabe)

Que toda cidade pequena esconde muitas histórias por entre suas ruas e arquitetura não é novidade. Mas, ao adentrar pelas portas esverdeadas do antigo casarão localizado à Rua Tiradentes em Muzambinho, ouvimos e nos encantamos pela a história de nossa cidade. A Casa da Zana nos proporciona essa experiência, aguçando cada um de nossos sentidos!                        

Assim como a casa, sua proprietária é carregada de energia boa, quem conhece o trabalho da designer, sabe que ela é uma artista apaixonada pelo feito à mão e pelas simplicidades do interior, sem abrir mão da elegância. Zana é uma pessoa detalhista e cheia de coração. Ao ver seu trabalho e sua casa, nota-se que transbordam sentimentos e dedicação aos detalhes. Confira a entrevista que ela nos deu e inspire-se!

Conta pra gente, qual a história da Casa da Zana?

Zana - O prédio calçado sobre pedras grandes foi construído por volta dos anos 1950/60. O terreno guarda vestígios de um passado de escravidão em seus porões, como conta meu pai Tarcilío Alves, muzambinhense de 84 anos, muitos deles vividos entregando cereais no empório dos Martimianos que havia nessa esquina.

De onde surgiu a ideia de abrir as portas da sua casa para as pessoas?

Zana - A Casa da Zana surgiu após eu me mudar para cá em 2011 e aqui abrigar a alma para descanso. Venho de família materna, coletiva e festeira, convivi desde a infância com festas religiosas, crenças pulsantes, convívio intenso entre familiares e outras pessoas que circulavam entre nós nos cafezais, colheitas e vivências amigáveis e humanas. Havia sem dúvida um ar de carinho e consideração inerente aos seres humanos. Quando me foi ofertada pelo universo a casa que pedia naquele momento de mudança logo subiu a superfície das lembranças daquele tempo de acolhida para um pouso, um causo e um caldo na casa de gente de bem e que nos acolhia com afeto. Foi então que bateu a forte ideia de colocar um sonho para fora, o sonho de abrir a casa pra receber quaisquer tipos de arte e de acolhida pro corpo, pro paladar e pra alma.

Quais tipos de experiência você teve a partir dessa abertura?

Zana - Das mais variadas e alegres possíveis, a de acolher ao lançamento de livro de um brilhante amigo, idem falando sobre a obra e a arte de Gilberto Gil, artista querido e amado por nós brasileiros. Vi e senti na pele o encantamento de muitos quando em contato com o êxtase que só a arte pode provocar. Servir mesas onde o visitante, o convidado, o amigo e os familiares se deixaram mostrar sensíveis às lembranças que aquelas comidas despertavam em nossos corações e mentes. Riram alto por vezes de tamanha alegria e noutras debulharam lágrimas festivas e sensíveis. Perpetuando assim a riqueza e a beleza de reverenciarmos a vida, suas vivências e nossa ancestralidade. Vi também um elegante canal de TV se afeiçoar por artes expostas e histórias contadas aqui.

E de onde vem a inspiração desses pratos que você confecciona com tanto carinho?

Zana - Vem das mais intensas vivências da infância em família, unida, festeira, talentosa, envolvida e humana que a vida e meus mais queridos ancestrais me deixaram como valioso legado muzambinhense, mineiro e brasileiro no coração.

 

 


Sobre o autor

Daiane Del Vale

Colaboradora em produção de conteúdo

Estudante de Jornalismo, Uninter Guaxupé. 

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