A ação política de professores e professoras

por Mateus Camargo

Publicado em 11/07/2018
Por Mateus Camargo

 

Professores e professoras são figuras públicas. Ao se posicionarem na sociedade chamam a atenção de seus interlocutores (estudantes, pais e mães, colegas de trabalho) sobre um tema qualquer podendo ao menos gerar uma reflexão em seus ouvintes. Isso é uma forma de fazer política, no bom sentido do termo, qual seja, de apresentação democrática de ideias rumo ao bem comum, o que, obviamente, não se dá de forma homogênea.

Existem professores de diferentes posições políticas, contradizendo uma ideia de senso comum de que são majoritariamente de esquerda. Existem diversos caminhos para atingir o bem da coletividade; o que se espera de uma sociedade democrática é que permita a publicização dos diferentes percursos possíveis, gerando um debate saudável de ideias. Nesse sentido, não poderia deixar de saudar a grande manifestação democrática da comunidade escolar mineira ocorrida recentemente, ocasionada pelo não pagamento dos salários dos servidores públicos estaduais após reiterado processo de parcelamento dos seus vencimentos. O movimento extrapolou os limites dos grandes centros, locais onde constantemente ocorrem protestos de natureza sindical, atingindo várias cidades do interior, incluindo algumas do Sul de Minas Gerais.

Mais do que engrossar as atividades centrais, tal GREVE cumpre um papel importante na politização de uma comunidade mais ampla das cidades menores, muitas vezes pouco afeita as movimentações políticas. A greve dos caminhoneiros, ainda que dirigida majoritariamente por entidades patronais pouco preocupadas com a humanização do trabalho no setor, também pode ter servido para esse propósito dada a legitimidade social alcançada. Abre-se um período em que a insubordinação é reconhecida como necessária. Num país que alcunha grevistas de vagabundos há que chamar a atenção para a janela de oportunidade aberta. É indispensável, entretanto, que os debates extrapolem os momentos pontuais e superficiais, e ocupem reuniões de trabalho, conselhos de escola, assembleias escolares (com alunos presentes e opinando), buscando qualificar e naturalizar a participação política.

Não é incomum ouvir da boca de professores e professoras que não se posicionam sobre aquilo que consideram equivocado nas escolas enquanto estão em período probatório (como se uma opinião pudesse gerar reprovação a servidor assíduo e cumpridor de obrigações previstas para o cargo ao qual foi aprovado por concurso) ou que tem medo de serem perseguidos por superiores. Tal posição mostra desconhecimento sobre os direitos e deveres relacionados à carreira e sobre as leis que protegem os(as) trabalhadores(as) do assédio moral.

Não é à toa que boa parte das cidades da região de Muzambinho descumprem aspectos legais básicos relacionados ao direito dos profissionais da educação, como o Piso Nacional do Magistério, por exemplo, tema da nossa coluna anterior. Se não fazemos política no dia a dia, alguém fará por nós. Que espaço pode ser mais rico do que uma escola para promover tal direito? Se não nos movimentamos, não percebemos as amarras que nos prendem, parafraseando a militante alemã assassinada há quase 100 anos, Rosa de Luxemburgo.

        


Sobre o autor

Mateus Camargo

Mateus Camargo é professor do curso de Licenciatura em Educação Física e no ensino médio do 

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