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O que esperar do Esporte no governo Bolsonaro?

Por Mateus Camargo

Publicado em 23/01/2019
Por Mateus Camargo
Imagem Dayanne Engenharia

 

Uma questão que inquieta as pessoas envolvidas com as diferentes manifestações esportivas no país, seja na escola, nos clubes e/ou em equipes de alto rendimento é: o que esperar para a área no Governo Bolsonaro?

Durante o período eleitoral o então candidato foi taxativo ao informar que o Ministério do Esporte, existente desde os anos de Fernando Henrique Cardoso, e mantido nos governos Lula, Dilma e Temer, seria extinto. Apoiado por atletas famosos, as políticas para o setor eram uma incógnita, considerando o seu programa de governo. Não havia uma menção sequer à palavra Esporte no documento; o termo Educação Física era citado uma única vez, referindo-se à possibilidade de atuação de professores da área em serviços de saúde. Entretanto, não havia qualquer detalhamento acerca de como seria implementada tal ação.

A extinção do Ministério do Esporte e o deslocamento das atribuições da pasta para o Ministério da Cidadania não vieram acompanhadas de boas notícias. O ministro indicado, Osmar Terra, deputado reeleito pelo MDB-RS, assumiu informando à imprensa que não entendia nada de Esporte. Além disso, no apagar das luzes do governo Temer, foi publicado o edital do Bolsa Atleta, no qual os recursos destinados para o programa foram reduzidos de 137 para 82 milhões de reais. Até então, o benefício dividia-se em 4 categorias de contemplados: Atleta Internacional, Atleta Olímpico/Paraolímpico, Atleta Estudantil e Atleta de Base. A bolsa variava entre as categorias: enquanto um atleta internacional ganhava R$1850,00, o de Base ganhava R$ 370,00. Trata-se de uma política que mata de inanição qualquer possibilidade de sucesso esportivo do país em médio/longo prazo.

Os recursos liberados por Temer só são suficientes para o pagamento dos 3 primeiros meses do ano para os cerca de 3 mil atletas contemplados no edital. Contraditoriamente, segundo o Blog Olhar Olímpico, apesar da extinção do Ministério do Esporte, o número de cargos comissionados foi reduzido de 1165 para 1162, e os recursos disponíveis saíram de R$ 6,805 para R$ 6,723 milhões. Ou seja, uma redução insignificante para tamanho estardalhaço gerado com o fim do Ministério como parte de uma política de enxugamento da máquina pública.

Não há noticia disponível sobre o que será feito após os 3 meses de pagamento da Bolsa Atleta. O governo Bolsonaro vai mantê-las?

Ironicamente, atletas de alto rendimento, cujos salários são mantidos por clubes e patrocinadores, não tiveram suas bolsas afetadas. Entre eles, apoiadores de Bolsonaro como os atletas de vôlei Wallace e William. Trata-se de uma distorção criada pelos governos anteriores e sem previsão de ajuste por parte do governo atual.

De qualquer forma, para pessoas atuantes na área de Educação Física e Esporte, não há motivos para otimismo com o atual governo: faltam quadros técnicos, recursos financeiros e clareza sobre o que será feito.

Será indispensável que entidades e profissionais se mobilizem para que a agenda esportiva possa ser recuperada, com ações inclusivas e voltadas para o avanço do país no cenário do esporte participativo e de alto rendimento.               

 


Sobre o autor

Mateus Camargo

Mateus Camargo é professor do curso de Licenciatura em Educação Física e no ensino médio do 

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